TAMANDUÁ NÃO É PET!

Triste de se ver! Foto: Barcroft

5 GRANDES motivos pelos quais TAMANDUÁS NÃO SÃO PETS!

Tamanduás podem ser incrivelmente adoráveis, mas por uma série de motivos eles estão longe de ser o PET ideal. Continue acompanhando e veja o porquê eles JAMAIS devem ser criados em casa!

1. Antes de mais nada… Eles são animais silvestres

Diferente dos animais domésticos, que passaram por um processo extremamente longo de domesticação que os tornaram dependentes e totalmente acostumados a nós… Os animais silvestres possuem comportamentos e instintos naturais. 

 

Logo, eles não se sentem bem com nossa presença, muito menos, em viver junto a nós.  Nossa companhia, comportamentos e até mesmo nossa rotina são motivo de estresse para um animal selvagem, que se assusta facilmente. Principalmente os tamanduás, que são animais solitários, ou seja, vivem sozinhos na natureza, e são presas de outras espécies, como onça-pintada e onça-parda.

 

Eles gostam e PRECISAM de espaço, precisam do seu habitat. Para eles, quanto mais longe de nós, melhor. Ou seja, neste caso, eles precisam ser… TAMANDUÁS! 

Eles seguem totalmente seus instintos e precisam de espaço. Foto: Fabiano Vargas

2. Animais silvestres possuem medo de nós e isso pode levar à… ACIDENTES

Tamanduás não são animais agressivos. Na natureza, quando sentem a nossa presença, eles ficam quietos, tentando disfarçar que estão ali. E, se isso não funcionar, eles literalmente fogem, correndo de nós. 

 

Bom, mas como qualquer outro animal, quando estão assustados e se sentindo “encurralados” (como ele estaria se tivesse dentro da sua casa)… aí sim, eles poderão se defender. 

 

O único mecanismo de defesa que eles possuem são as suas enormes e fortes unhas, perfeitas para furar cupinzeiros e formigueiros em busca de alimento e para afastar quem está o assustando. E elas podem fazer um estrago! Elas são muito afiadas.

Unhas de tamanduá-mirim. Foto: Karina Molina

E aí que vem a origem da famosa (e mal falada) expressão: “Abraço de tamanduá”.

Tamanduá-mirim em posição de defesa: abraço de tamanduá. Foto: Karina Molina

Na verdade, esse abraço na natureza só ocorre em situações muito específicas. Só quando eles se defendem de predadores, como onças, ou de cachorros (sim, cachorros), que frequentemente atacam animais silvestres, sem motivo algum, nas áreas rurais.

3. Cuidar de um é BEM MAIS difícil do que você imagina

A DIETA natural de um tamanduá é composta por formigas e cupins. Em cativeiro é literalmente impossível alguém buscar e fornecer DIARIAMENTE a quantidade necessária (MILHARES DE INSETOS) para suprir a alimentação de um indivíduo. Na natureza, a busca por alimento demanda muito tempo e eles procuram bastante, a maior parte das horas em que estão acordados, basicamente é para procurar alimento. 

Foto: Fabiano Vargas

Nas instituições que reabilitam ou mantêm tamanduás, como Centros de Reabilitação ou categorias de cativeiro, como os zoológicos, é feito um preparado complexo para esses animais. E claro, para alegrá-los, frequentemente e com muita dedicação, eles buscam cupinzeiros e formigueiros para fornecer como enriquecimento ambiental.

Vitamina diária. Foto: Karina Molina

Bom, não se engane, pois tudo isso é AINDA MAIS trabalhoso do que parece. Afinal, se você insistisse nessa ideia horrível e ilegal de ter um tamanduá, você com certeza iria querer o bem estar do animal, certo? E também sairia, com uma enxada e sacos, em busca de cupinzeiros e formigueiros, com FREQUÊNCIA, para ele! 

Nossa equipe pegando cupins para os órfãos de tamanduá-bandeira que reabilitamos no Pantanal. Foto: Manoela Pinho

Além disso… você teria que fazer a vitamina diária com muito cuidado: os animais podem ter problemas seríssimos com falta de vitaminas específicas, por exemplo vitamina K e o aminoácido taurina e logo, a dieta deve ser balanceada. Infelizmente, a realidade vista em cativeiro, como na foto abaixo, está longe de gerar bem estar ao animal. 

Foto: Animal Planet/Barcroft

4. Onde você colocaria o tamanduá?

Como comentamos, os tamanduás precisam de espaço e não é qualquer lugar. Os tamanduás-mirins, por exemplo, são semi-arborícolas e precisam de viver em ambientes florestados.

Lugar de tamanduá é na natureza. Foto: Karina Molina

Além das características de seus habitats, eles são muito ativos e andam quilômetros diariamente. Como eles gastariam tanta energia dentro de um ambiente fechado, sem se exercitar adequadamente e mais, sem as características de seu habitat?

Tamanduá-mirim em área florestada - ambiente natural. Foto: Karina Molina

Outros dois pontos de atenção são seus olfatos apurados e seus hábitos alimentares mirmecófagos (cupins e formigas), que instintivamente fazem com que eles busquem alimento, com suas longas línguas, por onde passam.

Os tamanduás buscam comida, quase todo o tempo em que estão acordados. Foto: Karina Molina

Centros de Reabilitação, Zoológicos e afins tem todo um cuidado especial com o ambiente dos tamanduás, que deve estar livre de cheiros fortes (como produtos de limpeza e perfumes que usamos em casa) que causam estresse nos animais, e livre de qualquer poluente, como pesticidas que poderiam potencialmente intoxica-los. Infelizmente, até mesmo em vida livre, eles sofrem com intoxicação em áreas agrícolas, onde são jogados venenos contra cupins e pragas. Brincadeiras sérias a parte… Tamanduá ilegal em casa = cheirinho de limpeza em casa e dedetização no quintal? Jamais! Ou melhor… formigas e baratas? Maravilha!

5. Nossos amigos de 4 patas, não são amigos deles!

Cães e gatos transmitem doenças que são passadas para os tamanduás: cinomose (no caso dos cães), giardia e leishmaniose são algumas delas. Infelizmente, nem todas as medicações usadas para nossos pets, podem ser utilizadas na fauna silvestre. E acredite, essas doenças fazem um estrago! Até mesmo animais silvestres que passam por áreas com a presença humana, acabam se infectando (e aqui, ressaltamos a importância da vacinação nos animais domésticos).

 

Como se não bastasse, não é só a questão sanitária que afeta os tamanduás. Nossos amigos de 4 patas, frequentemente não toleram animais silvestres e os atacam. No caso dos tamanduás, ressaltamos os cães – muitos filhotes de tamanduás que recebemos, muitas vezes são vítimas de ataques de cães. 

Esse filhote e sua mãe, foram vítimas de ataque de cães. A mãe veio a óbito na briga. O órfão, debilitado, também não aguentou. Foto: Karina Molina

Precisamos de ajuda na conscientização…
diga NÃO aos tamanduás na Lista PET

Qual parece certo para você? Fotos: à esquerda Animal Planet/Barcroft e à direita João Marcos Rosa

Poderíamos falar dezenas de outros motivos aqui, pelos quais os tamanduás NUNCA DEVEM SER PETs. Mas, com esses 5 que comentamos, acreditamos que vocês já devem ter percebido que lugar de tamanduá não é na nossa casa e sim, na casa dele: na natureza!

Deixa eu comer minhas formigas na natureza, em paz! Foto: Karina Molina

 

Infelizmente, algumas pessoas insistem na ideia… inclusive, tamanduás-mirins foram indicados como animais a serem colocados na Lista PET (lista de animais silvestres regulamentada pelo governo, que há anos está para ser lançada, que determinará quais animais as pessoas poderão ou não ter em casa). 

 

O que essas pessoas não entendem, é que, por uma série de motivos, eles jamais se adaptariam a essa situação. E acredite, nós, do Instituto Tamanduá, que trabalhamos há décadas com essa espécie, damos a CERTEZA que essa decisão não geraria bons frutos: nem para os indivíduos, muito menos para a conservação da sua espécie.

 

Então por isso, pedimos a todos vocês: ajude-nos a divulgar e conscientizar cada vez mais pessoas, que tamanduás NÃO SÃO PETs!

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