





Tamanduá bandeira (Myrmecophaga tridactyla)
Status e distribuição
O tamanduá-bandeira Myrmecophaga tridactyla é o único representante do gênero Myrmecophaga e distribuía-se originalmente do norte da América Central até o sul da América do Sul. É considerado espécie "vulnerável" no Brasil de acordo com a Lista Oficial das Espécies Ameaçadas (BRASIL, 2003b), como espécie "Quase ameaçada" pela IUCN Red List of Threatened Species - 2005, e também está inclusa no Apêndice II da Convention on International Trade Endagered Species of Wild Fauna and Flora - CITES desde 2003. ( Miranda, 2007)
Description
O tamanduá-bandeira é a maior espécie de tamanduá, podendo chegar a 50 kg e ocupa uma grande variedade de ambientes, de florestas a campos. Possui várias adaptações morfológicas como ausência de dentes e a língua muito desenvolvida (CHEBEZ 1994, EMMONS 1997, ROSSONI et al. 1981, NOWAK 1991). As unhas também são bem desenvolvidas, podendo chegar a 6,5 cm nos membros anteriores (CHEBEZ 1994).
Biology
O tamanduá-bandeira é o maior tamanduá existente, possui uma conformação compacta, destacando-se a presença de um focinho longo e cônico que acomoda uma língua vermiforme que auxilia na captura dos alimentos. Possui adaptações anatômicas em virtude dos hábitos alimentares, constituído, basicamente de formigas e cupins (DRUMOND, 1992; MEDRI, 2002; MEDRI; MOURÃO; HARADA, 2003; MONTGOMERY, 1985; SHAW; MACHADO NETO; CARTER, 1987). Quais sejam orelhas diminutas, olhos pequenos e negros, membros anteriores fortes e providos de garras protegidas do apoio plantar, sendo este o único meio de defesa e também ferramenta alimentar (MIRANDA; SUPERINA; JIMENEZ, 2006). Sua atividade varia de noturna a diurna (LUBIN; MONTGOMERY, 1981). O tamanduá-bandeira não apresenta estrutura social definida, vivendo como animal solitário a maior parte do tempo, com exceção dos breves encontros para reprodução e das fêmeas com filhotes, que são carregados durante os seis primeiros meses de vida (EISENBERG; REDFORD, 1999). Trata-se de uma espécie de reprodução lenta, alcançando a maturidade sexual ao redor dos dois anos, tendo somente uma cria por ano (CHEBEZ, 1994). A espécie não apresenta dimorfismo sexual evidente (NOWAK, 1983).
Habitat
Os tamanduás-bandeira utilizam uma grande variedade de habitat, como florestas úmidas, cerrados, pantanais e mata decídua, a diferentes altitudes. No Brasil ocorre em todos os biomas, desde a Amazônia aos campos sulinos (FONSECA et al., 1996)
Threats
Destruição dos ambientes naturais é a principal ameaça à espécie, ao longo de toda a sua área de ocorrência. A conversão de campos e cerrados para o desenvolvimento de atividades agrosilvipastoris (DRUMOND 1992; FONSECA et al. 1994). Embora sejam usualmente relacionados a áreas abertas, são dependentes de áreas florestadas devido à limitada habilidade termoregulatória (RODRIGUES et al. 2008). Os ataques por cães também é citada como uma das grandes ameaças. Os tamanduás-bandeira são comumente atropelados se for levada em consideração a baixa densidade populacional aparentemente observada em toda a sua distribuição no Paraná, este se torna um fator extremamente preocupante.
As queimadas também é uma grande ameaça para a espécie, por sua lentidão e pela longa pelagem, sendo este um importante fator de impacto em pequenas populações na região central do Brasil. O estudo do papel das doenças nesse aspecto constitui um eixo importante das estratégias para conservação dessa espécie, principalmente considerando-se que estudos ecológicos reconhecem as doenças como o mecanismo regulatório de populações naturais. Por se tratar de uma espécie que possui baixo potencial reprodutivo, apresentando cuidado parental prolongado, longos períodos de gestação e somente uma cria por ano, patógenos que possam afetar o sucesso reprodutivo, podem ser extremamente nocivos para populações de tamanduás-bandeira em vida livre. (Miranda,2007)