Quem são os tamanduás
do Projeto Órfãos do Fogo?

Foto: Karina Molina

Conheça todos os tamanduás do Projeto Órfãos do Fogo

O Projeto Órfãos do Fogo surgiu a partir dos incêndios de 2019 e 2020 no Pantanal. Com a preocupação das populações atingidas pelo fogo, realizamos uma expedição pelo Pantanal Norte e Sul em 2020. Na viagem, visitamos as linhas de frente ao resgate e atendimento dos animais atingidos, em busca de material genético dos tamanduás afetados.

 

O motivo? Com o fogo tomando conta do bioma, havia uma enorme ameaça de extinção local de parte da população pantaneira e nessa situação, ter material biológico viável dos animais é fundamental para garantir que a população não seja extinta.

 

Mas, foi durante a visita ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres de Campo Grande (CRAS), que nos deparamos com vários tamanduás-bandeira resgatados dos incêndios. Só em 2020, foram 52 indivíduos entre adultos e órfãos.

 

Lá, vimos a real necessidade de fazer a diferença para os diversos órfãos que encontramos e ajudar nas ações do CRAS para a reabilitação e reintrodução dos pequenos.

 

Nesse contexto foi criado o Projeto Órfãos do Fogo, para a reabilitação e reintrodução na natureza desses e de todos os outros órfãos, que perderam suas mães nos incêndios e são recebidos anualmente no CRAS.

 

Desde então, o projeto já contemplou 15 órfãos! Vem conhecer a carinha deles!

Órfãos em reabilitação

A dupla mais agitada (e desconfiada) da Pousada Aguapé: Cecília e Darlan

Foto: Manoela Pinho

História:

Cecília:

  • Situação: vítima de atropelamento, foi encontrada ao lado do corpo da mãe em rodovia próxima à área de queimada
  • Local / data: distrito de Nova Porto, em Bataguassu, MS, em 08/2021

Darlan:

  • Situação: encontrado sozinho em área rural próxima a um incêndio
  • Local / data: entorno de Campo Grande, MS, em junho de 2021
  • Observação: Tinha apenas 20 dias de vida!

Cecília e Darlan formam uma dupla no recinto na Pousada Aguapé e convivem super bem! Eles são bastante desconfiados: uma movimentação repentina ou barulhos são suficientes para eles ficarem em alerta.

Os desconfiados: Cecília à esquerda e Darlan à direita. Foto: Manoela Pinho e Karina Molina

E também são bastante curiosos, interagem com enriquecimentos ambientais e adoram um bom banho!

 

A dupla inseparável: Fadinha e Tereré

Um verdadeiro abraço de tamanduá! Foto: Manoela Pinho

História:

 

Fadinha:

  • Situação: encontrada sozinha em rodovia próxima à área de queimada
  • Local / data: Dois Irmãos do Buriti, MS, em 07/21

 

Tereré:

  • Situação: atropelamento, encontrado na rodovia ao lado do corpo da mãe em rodovia próxima à área de queimada
  • Local / data: Bataguassu, MS, em 08/21.

 

Fadinha e Tereré formam uma dupla realmente inseparável! Eles fazem absolutamente tudo juntos.

Juntos desde o cochilo… Foto: Manoela Pinho

Uma curiosidade sobre o machinho é que ele é bem calmo e faz tudo no seu tempo! Podemos dizer que ele tem seus “rituais”: por vezes após acordar, ele senta… e mesmo se chegar alimentação, ele não demonstra agitação. Afinal, tudo tem seu tempo.

 

Por outro lado, Fadinha é mais agitada e brincalhona.

Até na hora da alimentação! Foto: Karina Abreu

Curiosidade é com eles: Trovão e Tunga

Os curiosos. Fotos: Karina Abreu

História:

 

Trovão:

  • Situação: estava em um milharal, em uma emboscada de cachorros
  • Local / data: Campo Grande, MS, também em 05/21.

 

Tunga:

  • Situação: encontrada sozinha em rodovia próxima à área de queimada
  • Local / data: Rodovia 359 em Coxim, MS, em 05/21.

 

Trovão e Tunga formam dupla no recinto e são bastante curiosos. Quando há tratadores por perto, eles ficam agitados! Podemos dizer que Tunga fica, inclusive, um pouco ansiosa. Quando a alimentação é colocada, ela se desespera e alimenta-se bem rápido!

 

Trovão não é tão ansioso assim, é um pouco mais tranquilo. Após comer, ele vai descansar e diferente de sua ativa parceira, ele não faz muita questão de enriquecimentos ambientais ou de um banho.

Brincadeira para descontrair à esquerda e Tunga à direita! Foto: Manoela Pinho e Karina Abreu

A pequenina (que hoje já é grande) Vênus!

Vênus interagindo com o enriquecimento ambiental. Foto: Manoela Pinho

História:

  • Situação: encontrada sozinha em rodovia próxima à área de queimada
  • Local / data: Rodovia BR 163 em Campo Grande, MS, em 03/21.
  • Observação: encontrada com 30 dias de vida

Vênus, que chegou bem pequena, com cerca de 1 mês de vida e cerca de 2kg, hoje (04/22) já está com 18kg! Ativa, interage muito com os enriquecimentos ambientais e vive procurando formigas e cupins em seu recinto.

Vênus quando ainda era bem pequena. Foto: Karina Abreu

Joaquim: o bagunceiro noturno!

Descansando para curtir a noite! Foto: Manoela Pinho

História:

  • Situação: assim como Vênus e outros tamanduás, Joaquim foi encontrado sozinho em rodovia próxima à área de queimada
  • Local / data: Rodovia BR 262 em Aquidauana, MS, em 05/21.
  • Observação: tinha menos de 30 dias de vida

 

Joaquim é muito brincalhão, ele faz uma verdadeira bagunça com a água disponível no recinto e até mesmo, com a comida!

Aquela limpeza! Foto: Manoela Pinho

Mas seus momentos ativos durante o dia, resumem-se principalmente ao horário da alimentação e dos banhos de sol, quando colocamos os tamanduás para explorar a área do Pantanal, no entorno do recinto.

Banho de sol! Foto: Karina Molina

O período de maior atividade ocorre à noite!

Joey: curioso, mas nem tanto

Joey com o amado cupim! Foto: Manoela Pinho

História:

  • Situação: encontrado sozinho em uma fazenda próxima à área de queimada
  • Local / data: Aquidauana, MS, em 09/21.
  • Observação: cerca de 30 dias de vida

 

Apesar de ser bem curioso quando há barulhos e cheiros próximos ao recinto, Joey não interage tanto com enriquecimentos ambientais e nem mesmo com água!

Aurora - a próxima tamanduá a ganhar a liberdade

História:

  • Situação: encontrada em uma rodovia próxima à área atingida por queimadas
  • Local / data: rodovia ao redor de Bonito, MS, em 04/21
  • Observação: tinha cerca de 4 meses de idade!
Aurora degustando a vitamina no recinto de imersão. Foto: Manoela Pinho

Um ano depois, Aurora já estava no recinto de imersão, na Pousada Aguapé, em meio à vegetação típica do Pantanal. Neste ambiente, ela demonstrou comportamentos naturais de defesa, alimentação, descanso e banho e inclusive, ficava assustada com a presença humana e se escondia.

 

Em 03/22 ela foi transferida para a área de soltura do Instituto Raquel Machado, parceiro do Instituto Tamanduá, em Bonito, próxima à área onde foi encontrada. Lá, passará pela última fase de sua reabilitação, antes da soltura.

Tamara - também será solta este ano!

História:

  • Situação: encontrada sozinha em uma rodovia próxima a área incendiada
  • Local / data: rodovia ao redor de Campo Grande, MS, em 07/20.
  • Observação: tinha aproximadamente 30 dias de vida quando encontrada!

 

Assim como a Aurora, Tamara também tem comportamentos naturais de um adulto, ela dorme grande parte do dia (nos horário mais quentes) e só acorda para se alimentar. Tranquila, ela até aceita a presença do ser humano durante o manejo, mas não gosta de contato.

Foto: Karina Molina

Ela também já está nas fases finais de reabilitação. A sua próxima etapa é a mudança para o recinto de imersão e a sua soltura está prevista ainda para esse ano.

Ex-filhotes: conheça os tamanduás que já voltaram à natureza

O pioneiro: Tupã

Tupã na natureza. Foto: Karina Molina

História:

  • Situação: estava sozinho em uma área residencial próxima a área queimada
  • Local / data: Campo Grande, MS, em 06/20.
  • Observação: também tinha 1 mês de vida quando resgatado.

 

Tupã ficou no CRAS de Campo Grande no seu primeiro ano de vida, quando foi transferido para a Pousada Aguapé do Projeto Órfãos em 05/21. Ele foi o primeiro tamanduá a utilizar o recinto de imersão, onde se adaptou muito bem e foi o primeiro a ser solto com equipamento de telemetria, em 08/21!

 

Hoje, ele está determinando sua área de vida em torno da Base Aguapé. E, em vida livre, explora muito bem os capões e mata ciliar do rio Aquidauana. Enche nossos corações de orgulho!

Tabuna e Tabata: reabilitadas e soltas juntas!

Tabata à esquerda e Tabuna à direita. Fotos: Karina Abreu

História:

 

Tabuna:

  • Situação: achada sozinha em rodovia próxima a área queimada
  • Local / data: Campo Grande, MS, em 07/20.
  • Observação: tinha 1 mês de vida

 

Tabata:

  • Situação: sem histórico
  • Local / data: entregue ao CRAS de Campo Grande, MS, em 08/20.
  • Observação: também com 1 mês de vida

 

Tabuna e Tabata foram transferidas do CRAS para a Base Aguapé em 05/21, onde dividiram o recinto de reabilitação e imersão. Lá desenvolveram comportamentos naturais da espécie, como forrageamento (busca por alimentos) e marcação de território. Equipadas com material de telemetria, foram soltas juntas em 10/21.

 

Tabuna está determinando sua área de vida em uma fazenda vizinha, a cerca de 20km de distância da Pousada Aguapé. Já Tabata está determinando sua área nos fundos da área da fazenda São José, onde fica a Pousada Aguapé, a cerca de 8km da base.

Por fim… Toddy - o nadador diferentão

Toddy curtindo um sono em liberdade! Foto: Karina Molina

História:

  • Situação: assim como Tabata, Toddy foi entregue sem histórico
  • Local / data: chegou ao CRAS de Campo Grande, MS, em 08/20
  • Observação: tinha 1 mês de vida

 

Toddy foi transferido para a Aguapé em 10/21, onde, diferente dos demais tamanduás, já chegou, recebeu o equipamento de telemetria e foi solto, sem passar pelos recintos de imersão.

 

Assim que foi solto, Toddy explorou bem a área em torno do recinto de soltura e na mata ciliar do Rio Aquidauana. Antes do 20° dia, ele atravessou uma parte mais rasa do rio e está formando sua área de vida em uma fazenda de gado, em uma distância de mais de 15 km.

 

 

Bom, parece que falamos de 15 pessoas diferentes, né? Podemos dizer que, assim como nós, cada tamanduá tem uma personalidade única! E cada um deles, com seu jeito e sua história, tem muito a nos ensinar.

 

Em comum, todos são vítimas, direta ou indiretamente, do fogo. Todos nós, do Instituto Tamanduá, somos imensamente gratos em poder ajudá-los e poder compartilhar um pouco da história e personalidade desses queridos órfãos com vocês.

 

Esperamos que tenham gostado de conhecê-los!

 

Financiadores: IFAW, Pousada AguapéWorld Animal ProtectionFIAA Aid to AnimalsFundação Grupo Boticário e SOS Pantanal.

 

ApoiadoresInstituto de Meio Ambiente do Mato Grosso do SulGrupo de Resgate Técnico Animal do Pantanal – MSConselho Regional de Medicina Veterinária – MSUniversidade Federal do Mato Grosso do SulInstituto Raquel MachadoCentro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros, do ICMBio e Polícia Militar Ambiental do Mato Grosso do Sul.

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