Tatu-bola-do-Nordeste biologia e ameaças

Tatu-bola / Foto: Samuel Portela (Associação Caatinga)

Os tatus, juntamente aos tamanduás e preguiças, compõem a superordem Xenarthra, um dos grupos de mamíferos mais antigos existentes no mundo, que se originou na América do Sul entre 65 e 80 milhões de anos atrás.

 

A família dos tatus, chamada Dasypodidae, engloba 22 espécies. Entre elas, o astro deste texto: o tatu-bola-do-Nordeste (Tolypeutes tricinctus), um mamífero endêmico, ou seja, que só existe na Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro e em algumas regiões do Cerrado.

 

Infelizmente, essa é uma das espécies de Xenarthra que está bastante ameaçada de extinção. Ainda muito pouco estudada, durante alguns anos a espécie não foi avistada e nem registrada.

 

Por isso, continue acompanhando até o final que iremos falar do que se sabe sobre sua biologia e quais as principais ameaças.

Características

Esta espécie de tatu (T. tricinctus) possui cinco dedos em cada membro anterior e posterior, estes com os dedos médios fundidos e os outros separados. Chega a pesar entre 1 a 1,8kg e a medir 30 cm, sendo considerada uma das menores espécies de tatu. Dos 30 cm, a cauda corresponde a cerca de 6,5cm.

Tatu-bola / Foto: Liana Sena

Sua cauda é recoberta por escudos dérmicos – camadas ósseas externas – e apresenta uma carapaça dura pelo corpo que possui 3 bandas móveis – estrutura que permite a carapaça de se fechar e/ou curvar – bem característica dessa espécie. 

 

A distribuição e a quantidade das placas ósseas em sua cabeça são diferentes de um indivíduo para o outro, sendo consideradas únicas para cada um, como se fosse uma impressão digital.

Distribuição

É uma espécie exclusivamente brasileira do Nordeste e algumas regiões do Centro-Oeste, nos estados de Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Alagoas, Sergipe, Maranhão, Tocantins, Pernambuco, além de Goiás e Minas Gerais. Vivendo nos biomas da Caatinga e em algumas áreas de Cerrado.

Distribuição do Tatu-bola (T. tricinctus) / Foto: IUCN

Até 1990, a espécie era considerada única das regiões de Caatinga, porém a partir desta época, foram registrados alguns indivíduos no centro do Brasil, afirmando que sua distribuição estende-se até alguns outros estados como Minas Gerais. 

 

A Caatinga é um bioma semiárido e extremamente rico, quando se fala no aspecto biológico e mesmo assim, muito pouco estudado. Já o Cerrado é um hotspot de biodiversidade. 

Alimentação

O tatu-bola se alimenta principalmente de cupins, formigas, besouros e outros insetos, sendo considerados insetívoros. Mas por vezes, matéria vegetal também pode entrar em sua dieta. 

Tatu bola na Caatinga / Foto: Felipe Peters

Porém, a base de sua alimentação são os insetos, sendo bastante especializado para a captura dos mesmos.

Comportamento e predação

Apresenta hábitos noturnos, mas também pode ser visto durante o dia, apresentando picos de atividade, sendo eles mais no período da tarde, entre às 14h e às 18h e à noite, entre umas 20h até às 23h. 

Dois indivíduos capturados para pesquisa científica / Foto: Samuel Portela (Associação Caatinga)

Ele pode cavar suas próprias tocas ou pode utilizar tocas realizadas por outros animais. Pode também se esconder em terrenos que apresentam depressões ou ainda, se esconder em locais com bastante folha. 

 

O seu nome, tatu bola, como todos sabem, deve-se ao seu comportamento de defesa, em que ele fecha sua carapaça e realmente fica igual uma bola. Vale ressaltar que apenas duas espécies conseguem realmente se enrolar perfeitamente: o tatu-bola-do-Nordeste (Tolypeutes tricinctus) e o mataco (Tolypeutes matacus). Ao se enrolar, o tatu protege seus tecidos mais moles, deixando somente sua rígida carapaça exposta, tornando mais difícil de quebrar. Porém ainda existem os que conseguem perfurar sua carapaça, como os felinos e alguns canídeos.

 

Não se tinham registros desta espécie de tatu sendo predada por outras espécies nativas do Brasil, acredita-se por conta das poucas quantidades de estudos feitos com esta espécie, porém se sabia que eram de interesse de grandes felinos, como as onças. Recentemente, um estudo feito na Caatinga, mostrou uma onça pintada (também extremamente ameaçada no bioma) predando um tatu-bola-do-Nordeste. 

Primeiros registros de uma Onça pintada (P. onca) predando o tatu bola (T. tricinctus) / Foto: Pap. Avulsos Zool., 2021 - Scielo

Isto pode acontecer devido a escassez das pesquisas científicas e muito provavelmente, não é por conta da falta de interação destas duas espécies.

 

Por isso, é de extrema importância que mais pesquisas sejam feitas sobre o tatu! É claramente, uma cena muito importante na natureza, né?!

Reprodução

A espécie apresenta dimorfismo sexual, sendo este, a diferença de tamanho entre o macho e a fêmea, sendo os machos um pouco maiores do que as fêmeas. O tamanho do macho é um fator determinante para sua reprodução, já que os machos maiores apresentam mais sucessos entre as fêmeas.

 

Durante a época de acasalamento, pode-se observar mais de uma macho correndo atrás de uma fêmea, assim, os dois competem para fertilizá-la. 

Captura do tatu bola para coleta de dados biológicos / Foto: Samuel Portela (Associação Caatinga)

O tempo médio de gestação é de 120 dias e dão a luz a, normalmente, um filhote, mas de vez em quando há dois por ninhada. A biologia e o comportamento reprodutivo também foram pouco estudados.

Status de Conservação e Ameaças

A Caatinga e o Cerrado são considerados os biomas mais ameaçados do mundo, sofrendo com o desmatamento intenso e rápida degradação. Assim a perda da biodiversidade só cresce, mas também os serviços ecossistêmicos, afetando a todos que habitam os biomas. 

 

Sabe-se que o tatu-bola-do-Nordeste é extremamente sensível a alterações do ambiente e por conta da altíssima degradação de seu habitat – devido ao crescimento urbano, a agropecuária, a monocultura e o aumento da matriz energética – além da caça intensa e predatória para o consumo de sua carne, do aumento no número de atropelamentos, a espécie é considerada ameaçada de extinção tanto na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas brasileira, sendo enquadrada como Em Perigo, como na lista global, da IUCN, estando como Vulnerável

 

No que diz respeito às capturas ilegais, soma-se o fato que essa espécie é um alvo fácil. Afinal, sua única forma de defesa é se enrolar, correr – em uma velocidade reduzida – e defecar, ela não cava buracos para fugir, tornando-a, infelizmente, fácil de capturar.

Tatu Bola em sua forma de defesa / Foto: Gustavo Fonseca (National Geographic)

A recuperação das populações desse pequeno tatu é um enorme desafio frente à grande pressão antrópica e o pouco conhecimento sobre sua biologia.

Pesquisas

O Instituto Tamanduá em conjunto a Associação Caatinga uniram suas forças, em meados de 2017, para realizar mais pesquisas sobre o bioma e sobre o tatu. 

 

E juntos, na Expedição Tatu-bola ao Cânion do Rio Poti, criaram uma importantíssima Unidade de Conservação: o Parque Estadual Cânion do Rio Poti, uma região muito rica de fauna e flora, que além de auxiliar na conservação da espécie, também preserva as espécies associadas a ela.

 

Ainda, realizaram importantes pesquisas científicas sobre a saúde e genética dos tatus (T. tricinctus) e atividades educacionais com as comunidades locais, ressaltando a importância de sua preservação.

Espécie Guarda-Chuva

O tatu bola tem sido usado como espécie guarda-chuva. Em outros termos, uma espécie símbolo que, com a sua proteção, também auxilia na conservação indireta de outras espécies e do bioma tão degradado em que se encontra. 

 

É essencial que, nós, como sociedade, estejamos engajados na luta pela preservação do meio ambiente. Nós também precisamos dele para sobreviver. Além de que, há muitas outras espécies sofrendo gravemente com nossas ações. Vamos repensar nossos atos e ter cada vez mais compaixão com o próximo?!

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