Em Busca do Desconhecido -

Em Busca do Desconhecido

Em 2015, a equipe considerou ter chegado o momento de usar a experiência obtida com os 10 anos de pesquisa com Xenarthra e expandir ainda mais seus esforços de pesquisa e conservação das espécies para outros biomas, estabelecendo o Em Busca do Desconhecido – o Programa de Conservação do Tamanduaí no Nordeste Brasileiro, sendo a primeira equipe do mundo a trabalhar exclusivamente com a espécie Cyclopes didactylus. O Instituto se estabeleceu no Delta do Parnaíba e áreas adjacentes, que abrangem o litoral dos estados do Maranhão, Piauí e Ceará.

A carência de conhecimento sobre a ecologia e conservação das espécies que ocorrem nos estados do Nordeste aliada à urgente necessidade de implementação de ações de conservação para os ecossistemas costeiros brasileiros, que vem sofrendo crescente degradação, traduzem a importância deste projeto. Este possibilita ainda, por meio de suas diversas linhas de ação, a conservação de outras espécies raras, endêmicas ou ameaçadas que ocorrem nesses ambientes, favorecendo assim a manutenção da biodiversidade e dos serviços ambientais fornecidos. Além disso, serão promovidas ações de educação ambiental e comunicação com o intuito de aproximar as espécies e seu hábitat da população, contribuindo para a mobilização da comunidade para as questões ambientais. Em mais de três anos de projeto, a equipe do Instituto capturou trinta indivíduos de tamanduaí, sendo dois marcados provisoriamente para monitoramento e nove com implantação de nanochip. Realizou também o monitoramento de uma fêmea da espécie, com o filhote, observando o comportamento e o cuidado parental por mais de 70 dias consecutivos. Além de monitoramentos, expandiu-se a área de distribuição e ocorrência da espécie para os litorais dos estados do Maranhão e Piauí. Em 2017, implantou-se a primeira Base de Pesquisa e Educação Ambiental em um dos pontos turísticos da cidade de Parnaíba, onde são realizadas palestras e mini cursos para escolas e universidades da região.

Em conjunto com o projeto, a equipe está realizando o levantamento de mastofauna terrestre de médio e grande porte no Delta do Parnaíba, por meio de busca ativa, vestígios e armadilhas fotográficas. Além disso, auxilia o IBAMA na recepção e reintrodução de indivíduos de Xenarthra recebidos de apreensão ou de acidentes (atropelamento, queimada, caça).

Apoio: Aquário de São Paulo, Zoológico de Dortmund (Alemanha), Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Estado do Piauí (SEMAR), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (IBAMA), Aiuká Consultoria em Soluções Ambientais.