Preguiça-de-coleira: biologia e ameaças

Foto: Adriano Gambarini

A preguiça-de-coleira (Bradypus torquatus) é um mamífero que só ocorre na Mata Atlântica brasileira. Junto com as outras espécies de bichos-preguiça, tatus e tamanduás, compõe a superordem Xenarthra, um dos grupos de mamíferos mais antigos existentes no mundo, que se originou na América do Sul entre 65 e 80 milhões de anos atrás. 

 

Compartilha com esse grupo, algumas características peculiares como articulações com um maior número de vértebras, que lhe permite, por exemplo, uma movimentação de até 270° do pescoço.

 

Se você deseja saber mais sobre a biologia e ameaças dessa simpática espécie, continue acompanhando por aqui e saiba como você pode ajudar na sua conservação!

Características

Junto a outras quatro espécies de bicho-preguiça, ela também pertence ao gênero Bradypus, que se caracteriza pela presença de três garras nos membros anteriores. A preguiça-de-coleira se destaca dentre elas por ser a maior, pesando mais de 6 kg e medindo cerca de 75 cm.

 

Além disso, ela é facilmente distinguível das outras pela presença de uma pelagem preta na região dorsal do pescoço que se estende para as costas formando uma espécie de “juba” (ou crina) que lembra uma coleira, dando origem ao seu nome.

Foto: Governo do estado da Bahia / AGERBA

Sua pelagem é uma verdadeira aliada, já que lhe garante uma ótima camuflagem. O tom marrom-esverdeado dos grossos pelos das preguiças se deve à presença de inúmeras algas e cianobactérias vivendo em simbiose. Estudos recentes mostraram que essa parte do corpo das preguiças abriga um mini ecossistema. Foram encontrados 72 grupos diferentes de organismos, incluindo aranhas, mariposas, besouros e baratas!

Comportamento

A lentidão do bicho-preguiça é, provavelmente, a sua característica mais conhecida! Ela se explica pelo seu baixo metabolismo que, em outras palavras, significa pouca capacidade de transformar energia em movimento.

Foto: Instituto Tamanduá

Isso somado ao seu hábito arborícola, faz com que fique a maior parte de sua vida escondida nas copas das árvores. Ela passa cerca de 17 horas por dia dormindo e se não está descansando, provavelmente está se alimentando, movimentando ou ainda, realizando uma higiene nos seus pelos (“auto-catação”).

Foto: Instituto Tamanduá

Nas árvores, estão perfeitamente camufladas, mas há duas situações em que elas precisam descer. A primeira delas é para realizar as suas necessidades fisiológicas a cada 7 – 8 dias: quando alcançam o solo, cavam um buraco para defecar e ao terminar, cobrem as fezes com restos de folhas. Já a segunda se dá quando precisam fazer uma travessia e não encontram ligações de galhos e lianas entre uma árvore e outra.

 

No chão, as preguiças ficam mais visíveis e expostas aos seus temíveis predadores: as harpias e felinos. Nessas horas, para se defender, contam com as suas poderosas e fortes garras.

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Alimentação

A sua dieta é composta estritamente por folhas, mas não é qualquer uma! A verdade é que ela se mostra bem seletiva na hora de montar o cardápio, se aproveitando de uma pequena porcentagem de espécies vegetais. Mostra uma certa preferência por folhas jovens e maduras ou lianas de certas famílias botânicas que atingem o dossel da floresta em que habita.

Foto: Instituto Tamanduá

Como qualquer outro mamífero, ela não é capaz de digerir a celulose presente nessas folhas e por isso, conta com a presença de organismos simbiontes e uma série de adaptações para aproveitar ao máximo todo o conteúdo energético de seu alimento.

 

Dentre essas características, destacam-se os seus dentes molares especialistas em trituração e que além disso, apresentam um crescimento contínuo. O seu estômago é divido em quatro câmaras, sendo as três primeiras responsáveis pela fermentação e a quarta, pela ação de ácidos e enzimas. Por essa razão, o processo digestivo é incrivelmente longo e dura cerca de um mês.

Reprodução

As preguiças-de-coleira atingem a maturidade sexual aos três anos. A partir de então, estão prontas para o período reprodutivo que acontece durante a época chuvosa nos meses de julho a setembro. 

 

A gestação tem duração de 6 meses e nasce apenas 1 filhote, que por sua vez, fica sob os cuidados das mães até os 10 meses de idade, quando conquistam a total independência.  Quando nascem, não possuem a “coleira” típica da espécie bem definida, dado que ela vai sendo adquirida conforme o seu desenvolvimento. Ele nasce com cerca de 350 g e aproximadamente 250 mm de comprimento.

 

Embora haja dimorfismo sexual nesta espécie, ela é de difícil distinção. Ambos possuem a juba (crina) preta na região dorsal do pescoço. Nos machos, ela é um pouco mais escura e larga do que nas fêmeas. Mas, como algumas delas podem ter os pelos da juba mais compridos, pode ser bem difícil diferenciar o sexo dos indivíduos.

Onde vivem?

Mapa: Distribuição da preguiça-de-coleira IUCN (International Union for Conservation of Nature) em 2021.

Elas são endêmicas da Mata Atlântica e podem ser encontradas, mais especificamente, na faixa litorânea dos estados de Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e no nordeste de Minas Gerais. A população baiana é a que detém maior diversidade genética.

Status de conservação e ameaças

Dentre as 5 espécies de preguiças existentes no Brasil, a preguiça-de-coleira é a única considerada internacional e nacionalmente como Vulnerável (VU).

 

O desmatamento e a consequente fragmentação de seu habitat é uma das principais ameaças. A Mata Atlântica vem sendo super explorada para extração de madeira, produção de carvão vegetal e pasto para gado. 

 

Todas essas atividades requerem a derrubada das árvores e para esse animal de hábito arborícola, as áreas abertas significam incompatibilidade com a sua sobrevivência. Diante disso, alguns pesquisadores a considera uma boa indicadora ambiental, pois embora tenha a capacidade de viver em pequenos fragmentos de floresta, se ali ela está, é porque aquela região possui recursos e condições adequados. 

Como ajudar?

Uma forma muito eficaz de contribuir com a conservação da espécie é dando apoio financeiro a projetos e institutos que trabalham direta ou indiretamente com a conservação da espécie e de seus habitats.

 

Como conhecer é preservar, também é de suma importância e valia a divulgação de conteúdos informativos em suas redes sociais. Assim, estará dando a chance das pessoas conhecerem a situação que se encontra esse simpático animal.

 

Por último, você pode ajudar não incentivando a sua captura nas florestas! Como? É bem comum que elas sejam retiradas da natureza para servirem como atração turística aos curiosos e ansiosos por fotos segurando o animal.

Foto: Instituto Tamanduá

Mas há uma crueldade oculta por trás desses registros que, muitas vezes, estão fora do conhecimento das pessoas. O simpático e sorridente rosto dos bichos-preguiça dá a impressão de que estão sempre felizes, mas a verdade é que ainda que estejam sentindo dor, estresse ou ansiedade, a sua musculatura facial não lhe permitirá mudar a feição. Por isso, não se esqueça: fotos? só quando eles estiverem em seu habitat natural!

 

Ame, cuide e preserve!

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