Reabilitação de Tamanduás-bandeira

Foto: Karina Abreu

Passo-a-passo: Entenda como ocorre a reabilitação e soltura dos órfãos de tamanduás-bandeira no Pantanal

No Projeto Órfãos do Fogo, os pequenos tamanduás passam por várias etapas até ganharem a liberdade. Afinal, a reabilitação e a reintrodução são processos longos e muito trabalhosos. Neste texto, contamos com detalhes, o passo-a-passo dos órfãos e te explicamos como é feito esse trabalho tão gratificante!

 

Antes de começarmos, vale ressaltar que fizemos um texto só sobre a espécie. Caso queira conhecê-la a fundo e entender a importância da reabilitação dos órfãos, clique aqui!

Foto: Karina Abreu

Etapa 1 - CRAS de Campo Grande / MS

Resgatadas principalmente pela Polícia Militar Ambiental, Corpo de Bombeiros e Grupo Técnico de Resgate de Fauna, as vítimas do fogo são encaminhadas para o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) de Campo Grande, MS.

 

Ao chegar, elas passam por uma avaliação física e de saúde e se necessário, tratamentos médicos são feitos.

Foto: Instituto Tamanduá

Estáveis, os órfãos vão para a sala de filhotes, onde ficam aquecidos e recebem uma mamadeira muito especial, com uma substituição do leite materno, quatro vezes ao dia!

Foto: João Marcos Rosa

Com o tempo, o desmame é realizado e assim, eles passam a se alimentar sozinhos, em cochos de alumínio. Além da vitamina, eles também ganham seus amados cupins, como enriquecimento ambiental e forma de treinamento para a soltura!

 

Neste momento, ao conquistar a independência da mamadeira, eles vão para recintos maiores e passam por avaliações comportamentais. Durante 17 dias, seus comportamentos são anotados por nossa equipe, em um total de 88 horas de observação.

Foto: Karina Abreu

Após as avaliações, outro grande passo na reabilitação dos pequenos tamanduás: eles mudam de lar temporário! Saem do CRAS e vão para a Pousada Aguapé, onde está localizada nossa base, os recintos de reabilitação e também, onde serão soltos.

 

Mas antes de sua ida, há mais um passo a ser feito ainda no Centro de Reabilitação: a coleta de material biológico para a Arca Xenarthra – o primeiro banco de material genético para a conservação dos tamanduás e seus parentes: tatus, preguiças e outras espécies de tamanduás!

Foto: Instituto Tamanduá

Etapa 2 - Pousada Aguapé, em Aquidauana / MS

Foto: Guilherme Tirintan

Neste ambiente, os tamanduás também passam por diferentes recintos. O primeiro é o de aclimatação. Nele o contato humano já é menor, as alimentações são oferecidas preferencialmente em períodos de descanso do animal, com o menor contato olfativo e visual possível, a fim de excluir qualquer vínculo que eles possam ter do período de cuidados intensivos. Junto a essa alteração no manejo são realizados treinamentos de sobrevivência a partir de enriquecimentos ambientais.

 

O objetivo é simular situações diversas pelas quais eles irão passar na natureza, estimulando comportamentos de defesa, busca por abrigo e proteção, procura por alimentos, entre outros fundamentais para seu sucesso em vida livre.

 

Ainda durante o período de aclimatação, os tamanduás tomam banhos de sol. Nesse momento, eles são soltos em áreas adjacentes aos recintos, em ambientes abertos, onde podem forragear, estimular seus comportamentos naturais e ter outros estímulos ambientais, diferentes dos que estão acostumados. Assim, eles já começam a se habituar ao ambiente de soltura.

Foto: Guilherme Tirintan

Após, eles vão para o recinto pré-soltura, imerso em vegetação típica do Pantanal. Aqui já não há mais contato humano, a entrada dos cuidadores é breve, sempre em períodos de descanso do animal, somente para a colocação de alimento. E os acompanhamentos são feitos remotamente.

 

Por esses, há a avaliação da aptidão – física e comportamental – do animal em ser solto na natureza. Os animais devem apresentar boa estrutura corporal e muscular, possuir no mínimo, 20 quilos, estado de saúde adequado, comportamentos naturais de forrageamento e defesa e ausência máxima de vínculo com seres humanos e animais domésticos. Aprovados, eles vão para a última etapa.

Foto: Alexandre Martins Costa Lopes

Última Etapa - Liberdade

Dos recintos pré-soltura, os tamanduás ganham a liberdade. Acompanhados de um colete com transmissor de sinal GPS (instalado antes da soltura), eles voltam para seu lar – a natureza.

 

E nós, ficamos acompanhando de perto a sua jornada, afinal, o colete nos envia pontos de localização a cada 6 horas, além de dados de sua atividade, por exemplo, se está em repouso ou caminhando, permitindo o monitoramento pós soltura.

Foto: João Marcos Rosa

Por pelo menos um ano, acompanhamos seus deslocamentos, comportamentos e quadro de saúde. E assim, entendemos melhor a sua relação com a área, quais são suas preferências no ambiente, a melhor época do ano com relação à climatologia para a soltura e claro, vemos o sucesso de cada tamanduá.

 

Todas essas etapas são sinônimo de muito trabalho. E nenhuma delas seria possível sem o apoio de nossos financiadores e apoiadores:

 

Financiadores: IFAW, Pousada AguapéWorld Animal ProtectionFIAA Aid to AnimalsFundação Grupo Boticário e SOS Pantanal.

 

ApoiadoresInstituto de Meio Ambiente do Mato Grosso do SulGrupo de Resgate Técnico Animal do Pantanal – MSConselho Regional de Medicina Veterinária – MSUniversidade Federal do Mato Grosso do SulInstituto Raquel MachadoCentro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros, do ICMBio e Polícia Militar Ambiental do Mato Grosso do Sul.

 

E nós também contamos com o seu apoio para continuar desenvolvendo cada parte desse projeto tão importante e especial!

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