Reabilitando tamanduás no Piauí

Foto: Karina Molina

Conheça nosso trabalho com tamanduás no Piauí

O Instituto Tamanduá reabilita tamanduás-bandeira no Pantanal… e também no Piauí! Desde 2016 auxiliamos o IBAMA nas capturas de tamanduás em perigo no estado. E, sempre que necessário, fazemos a sua reabilitação!

 

Continue acompanhando e entenda nossas ações por lá!

Primeiro: como o Instituto Tamanduá chegou ao Piauí?

Tudo começou com os pequenos e desconhecidos tamanduaís! Os tamanduaís são os menores tamanduás do mundo e também, são os menos conhecidos pela ciência.

Tamanduaí. Foto: João Marcos Rosa

Para conhecê-los um pouco melhor, entender a sua distribuição geográfica, biologia, ecologia, saúde e genética, além de levantar áreas prioritárias para a sua conservação, criamos o Projeto em Busca do Desconhecido

 

E aí está a chave da questão: para responder a essas perguntas, escolhemos um ponto de trabalho simplesmente incrível – o Delta do Parnaíba, localizado entre os queridos estados de Maranhão e de Piauí. 

Delta do Parnaíba. Foto: João Marcos Rosa

O Delta do Parnaíba (foz do Rio Parnaíba, que deságua no mar, em diversos braços do rio) é um ambiente de transição entre Cerrado, Caatinga, Restinga e manguezal associados a ambientes estuarinos. Ou seja, é um ecossistema complexo e repleto de biodiversidade. 

Foto: Alexandre Martins

Calma, tudo isso tem relação com a reabilitação de tamanduás… Além de tamanduaís, a rica fauna do Delta também contempla muitos tamanduás-mirins! E, devido à geografia da área, em meio a essa biodiversidade também estão distribuídas várias pequenas comunidades. Já fez a ligação?

Comunidades no Delta. Foto: Alexandre Martins

Parceria com o IBAMA

Assim que a nossa equipe chegou ao Piauí em busca dos tamanduaís, em 2016, fechamos uma parceria com uma das bases do IBAMA do estado – a base de Parnaíba. Como há muitos tamanduás na região, e, há pequenas comunidades distribuídas em boa parte do território do Delta, frequentemente há casos de tamanduás em situação de perigo em residências ou áreas urbanizadas. Logo, o Instituto Tamanduá ficou responsável pelo manejo capacitado de tamanduás ali.  

Manejo Tamanduaí. Foto: IBAMA

Sempre que o manejo desses animais é necessário, o IBAMA e/ou o Corpo de Bombeiros nos contacta. Vamos à área, capturamos adequadamente esses indivíduos em situação de perigo e, se saudáveis (maioria dos casos), já os soltamos em áreas preservadas, mais seguras aos tamanduás. Felizmente, já fizemos o manejo de diversos tamanduaís e tamanduás-mirins com sucesso no Piauí!

Tamanduá em situação de perigo. Foto: IBAMA

Apenas quando necessário, fazemos a reabilitação dos mesmos em nossa base. Normalmente, essa etapa é necessária apenas aos filhotes – raros os casos de adultos que precisam. Ao todo, foram 5 filhotes de tamanduás mirins e 1 adulto de tamanduaí que reabilitamos no estado. Ainda neste texto, vamos mostrar a carinha de cada um deles para vocês! 

Tamanduás que passaram (ou estão) na Base Delta

Filhotes de tamanduás-mirins

Ao longo dos anos, chegaram cinco filhotes de tamanduás-mirins. O primeiro chegou em março de 2018, uma fêmea: Bisnaga. Ela e sua mãe foram vítimas de atropelamento em Chaval, cidade litorânea do Ceará, na divisa com o Piauí. Felizmente a pequena tamanduá, com cerca de 20 dias de vida e 250g, sobreviveu ao acidente.

Pequena Bisnaga. Foto: Karina Molina

Depois de uma longa reabilitação, Bisnaga foi destinada ao ZooParque de Itatiba, onde Thomás, um macho de tamanduá-mirim, aguardava uma companhia! Eles formam um casal e se dão super bem!

Bisnaga e Thomás no ZooParque de Itatiba. Foto: Débora Alcântara Ribeiro

O segundo filhote que chegou na base, em janeiro de 2019 foi a Tapioca – a menor tamanduá-mirim que recebemos: tinha apenas 220g e até mesmo casquinha no cordão umbilical – novinha! Assim como Bisnaga, Tapioca foi atropelada, essa, em Cocal, no Piauí. 

Tapioca na época em que chegou. Foto: Karina Molina

Reabilitada, ela também foi para o ZooParque de Itatiba – Tommy aguardava uma parceira!

Tapioca já em tamanho adulto. Foto: Karina Molina

Já entre fevereiro e março de 2021 chegaram 3 filhotes de tamanduás-mirins! Infelizmente, dois deles vieram a óbito poucos dias após chegar na base. Estavam extremamente fracos: um vítima de queimada e outro, vítima de ataque de cães.

 

A terceira, a querida Porpeta, está saudável (e enorme comparada a quando chegou)! 

Porpetinha ainda pequena. Foto: Karina Molina

Assim como Tapioca e Bisnaga, ela foi atropelada, no caso, em uma rodovia próxima à Teresina, capital do Piauí. No primeiro momento, ela foi encaminhada ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) local, que iniciou a reabilitação com o mesmo manejo feito por nós. E, com 300g e pouco mais de um mês de vida, ela foi transferida para o Instituto Tamanduá.

Fevereiro de 2021, quando a recebemos. Foto: Karina Molina

Porpeta segue em reabilitação conosco, em seu recinto muito especial. Quando ela chegou, o Grupo de Estudos de Animais Silvestres (GEAS) e o Grupo de Estudos em Biodiversidade (GBIO) da Universidade Federal do Piauí (UFPI), se juntaram à nós e fizemos um simpósio para arrecadar recursos para a construção de um recinto para a reabilitação de tamanduás mirins. O resultado? Um recinto de 70m², repleto de enriquecimento ambiental!

Recinto com muita ambientação! Você acha fácil achar um tamanduá aí? Foto: Karina Molina
O tamanduaí adulto Yoyo - único de sua espécie em cativeiro no mundo!
Yoyo. Foto: Karina Molina

Yoyo, um tamanduaí, chegou há um ano, em junho de 2021 já adulto em nossa base. Debilitado, ele foi provavelmente retirado da natureza para ser criado em cativeiro como pet. Mas, quem o retirou não imaginava que cuidar de um tamanduaí seria tão difícil: o manejo inadequado deixou Yoyo extremamente magro e com um quadro severo de hipovitaminose e desidratação.

Já adulto, Yoyo chegou abaixo do seu peso ideal. Foto: Karina Molina

Para cuidar dessa espécie pouco conhecida, desenvolvemos uma dieta diferente da dos demais tamanduás. Para isso, o Instituto Tamanduá contou com o apoio da Lizette Bermudez, bióloga com experiência em manejo de tamanduaís, que por mais de 8 anos, trabalhou com 5 indivíduos no Zoológico de Huachipa, Peru e da Ana Raquel Gomes Faria, zootecnista e pesquisadora associada do Instituto, que possui muita experiência com alimentação de tamanduás sob cuidados humanos. E, considerando o quadro de saúde de Yoyo, além de diferente, a sua dieta foi reforçada – hiperproteica. 



Os pequenos tamanduaís exigem um cuidado delicado. Foto: Karina Molina

Todo o conhecimento adquirido em nossas pesquisas com tamanduaís de vida livre, e o conhecimento aprendido com Yoyo, irá gerar frutos para a conservação, uma vez que lançaremos um manual de cuidados de tamanduás.

 

Com nosso manejo, ele já está saudável e com seu peso ideal, hoje, com 285g. Por ser o único de sua espécie em cativeiro no mundo, e, por ter se habituado à presença humana, comportamento não ideal em uma situação de vida livre, optamos por não devolvê-lo à natureza. 

 

Cada dado que conseguimos com ele é extremamente útil, servindo como base para ações de conservação da espécie. Inclusive, ele irá iniciar um projeto de manutenção da população nordestina em cativeiro. Essa população provavelmente teve uma perda grande no número de indivíduos, principalmente pela perda de habitat. Manter tamanduaís sob cuidados humanos é de extrema importância, caso seja necessário realizar programas de reintrodução futuramente.

Yoyo já está saudável! Foto: Karina Molina

Assim como outros tamanduaís e tamanduás-mirins que resgatamos, Yoyo foi vítima da grande ameaça que é o mercado PET. Além de configurar-se como atividade ilegal, por uma série de outros motivos, tamanduás JAMAIS devem ser criados em casa como PETs. Em breve divulgaremos um texto sobre o assunto e vamos te PROVAR o porquê!

 

Mas, voltando ao nosso trabalho de reabilitação, agradecemos nossos apoiadores, que ajudam os tamanduás: GEAS, GBIO e NEPPAS da UFPI e a querida base do IBAMA, no Parnaíba.

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